Friday, November 09, 2007

A volta do idiota






Autores do Manual do perfeito idiota latino-americano lançam livro em que criticam a volta do populismo de esquerda na América Latina

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Ao longo de todo o século XX, os líderes populistas da América Latina levantaram bandeiras marxistas, praguejaram contra o imperialismo e prometeram tirar seus povos da pobreza. Sem exceção, todas essas políticas e ideologias fracassaram, o que levou ao recuo dos homens fortes e das ilusórias utopias da esquerda. Agora, uma nova geração de revolucionários tenta ressuscitar os métodos ineficazes de seus antecessores. O venezuelano Hugo Chávez e o boliviano Evo Morales são os expoentes desta nova esquerda "carnívora", ainda presa à mentalidade da Guerra Fria. Outra esquerda, vegetariana, que governa no Chile e no Brasil, tenta evitar os erros do passado. Mas o fato é que idiota latino-americano está de volta.

É o que afirmam Álvaro Vargas Llosa, Plinio Apuleyo Mendoza e Carlos Alberto Montaner em A volta do idiota (Odisséia Editorial, 240 pgs. R$34,90). São os mesmos autores do polêmico best-seller Manual do perfeito idiota latino-americano, lançado em 1996. Aquele livro criticava os líderes políticos e formadores de opinião que, apesar de todas as provas em contrário, se apegavam a mitos políticos ultrapassados. A espécie dos "idiotas", dizíam então, era responsável pelo subdesenvolvimento da América Latina. Tais crenças – revolução, nacionalismo econômico, ódio aos Estados Unidos, fé no governo como agente da justiça social, paixão pelo regime do homem forte em lugar da lei – tinham origem, na opinião dos autores, num complexo de inferioridade.

As idéias nacionalistas e populistas ressurgiram com força na América Latina. É o que denuncia A volta do idiota, ao analisar os regimes de Hugo Chávez, Evo Morales e Néstor Kirchner, representantes da "esquerda carnívora". Mas o livro aponta também os equívocos cometidos e os riscos representados pela "esquerda vegetariana" que assumiu o poder no Brasil, no Uruguai e no Peru, muitas vezes com o apoio de intelectuais e políticos europeus e mesmo norte-americanos. Em contrapartida, os autores apresentam experiências bem-sucedidas de países que optaram por estratégias liberais de crescimento, como o Chile.

A leitura deste livro é uma vacina contra a idiotice!

Os idiotas latino-americanos tradicionalmente se identificam com os caudilhos, figuras autoritárias quase sobrenaturais que têm dominado a política da região, vociferando contra a influência estrangeira e as instituições republicanas. Por outro lado, a visão de mundo do Idiota, vez por outra, encontra eco entre intelectuais ilustres na Europa e nos Estados Unidos. Esses pontificadores aliviam o peso na consciência apoiando causas exóticas em países em desenvolvimento. Suas opiniões atraem fãs entre os jovens do Primeiro Mundo, para os quais a fobia da globalização oferece a perfeita oportunidade de encontrar satisfação espiritual na lamenta鈬o populista do Idiota latino-americano contra o perverso Ocidente.

Os autores de A volta do idiota demonstram que esses observadores estrangeiros estão deixando de compreender um ponto essencial: o populismo latino-americano nada tem a ver com justiça social. Populistas têm características básicas comuns: o voluntarismo do caudilho como um substituto da lei, a denúncia do imperialismo (com o inimigo sempre sendo os Estados Unidos), a projeção da luta de classes entre os ricos e os pobres para o terreno das relações internacionais, a idolatria do Estado como uma força redentora dos pobres, o autoritarismo sob a aparência de segurança e o clientelismo. O legado dessas políticas é claro: quase metade da população da América Latina vive na pobreza.

2 comments:

Stefano said...

Li várias resenhas, mas ainda não comprei...está na minha lista de prioridades livreiras, depois do novo Mainardi.

O primeiro é muito bom, uma pena que não analisou mais profundamente o Molusco, então eterno candidato...

Larry said...

Esse promete, pois se trata desses trogloditas políticos que bostam na América latrinosa, deve ser fechando o piano nos dedos mesmo.