Thursday, January 24, 2008

Notícias sobre a Bienal

Outra mensagem, esta de Argênide, com comentários meus entre colchetes:
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Luciano,

Esse post [O mercado como critério estético] me fez lembrar um programa que a GNT passou há uns 15 dias – “Iconoclastas – com o Jeff Koons. Mostraram a “fábrica” dele, provavelmente no estilo Damien Hirst que você fala. Vários artistas procurando tons de verde, enquanto ele apenas administrava. O designer que o entrevistava perguntou como se define o que é uma obra de arte, se ela pode sair da indústria já pronta, se é a assinatura do artista, ou o que? Ele respondeu que o público é quem determina o que é uma obra de arte!!!! Ao final o designer disse francamente que não conseguiu, após a entrevista, saber se o artista leva a sério o que faz ou se é tudo uma grande piada! [Eu acho que é tudo uma grande piada, mas como rende milhões, as pessoas fingem que levam a sério]

Mudando de assunto, ontem no Mube houve uma mesa redonda sobre a Bienal. Foi muito boa a discussão, principalmente porque o Ivo Mesquita corajosamente compareceu e pode esclarecer alguns pontos, como o fato de que o “Vazio” não é tema e sim estratégia. Ao ser perguntado pelo curador Olívio Tavares de Araújo se haveria tempo e dinheiro para se fazer uma Bienal como sempre foi feita ele disse que sim, o problema não foi tempo ou dinheiro, como se pensava. Foi escolha mesmo! [Isto soa a uma tentativa mentirosa de esconder "conceitualmente", o fracasso da Bienal. Mas será pior ainda se for verdade: como alguém pode ter o poder de destruir deliberadamente um evento da importância da Bienal? Cadê o Ministério Público? Cadê a imprensa que não se manifesta?]

O artista Antonio Henrique Amaral foi quem fez a colocação mais básica e importante: “O evento tem que acontecer e o evento são as obras”. Disse também que “o espetáculo é quem fala e não a Bienal ou o curador. Eles apenas possibilitam e preparam o espaço para que as opiniões aconteçam. Não cabe à Bienal ou ao curador dar uma opinião, eles são meros realizadores de um evento”! Ivo Mesquita afirmara no início que terão artistas na Bienal sim, mas em tom quase debochado disse que ”quadro pendurado na parede, não!” [Ou seja, se aparecesse um novo Renoir, um novo Van Gogh ou mesmo um novo Pollock que levasse seus quadros à Bienal, seria recebido com escárnio. Só Freud explica esse ódio do quadro na parede]

Mais à frente, pressionado, acabou afirmando que serão cerca de 40 artistas. A primeira pergunta da platéia sobre qual o orçamento de que ele dispõe para essa Bienal, recebeu muitos aplausos e à resposta de que são 10 milhões de reais, o auditório ficou indignado pois uma simples conta aritmética revela que são 250 mil por artista!!!!! Ivald Granato da mesa, disse na mesma hora que queria participar dessa Bienal. Um pouco antes Olívio Tavares de Araújo afirmara que com 5 milhões ele realizaria uma.

Isso foi apenas o começo, a discussão estava bem acalorada, os artistas bastante interessados. A Bienal tem um histórico a se respeitar, porém Ivo Mesquita disse que ter 150 artistas na Bienal significaria apenas reunir 150 artistas e que isso não levaria a nada, não melhoraria nada, então ele quer um questionamento sobre a arte e sobre a Bienal. Eu pergunto: e porque isso tem que ser durante a Bienal? Será que a arte está tão conceitual que até a Bienal agora é conceitual?

Abraço,
Argênide

1 comment:

Roberto Silva said...

Fui ao encontro acalorado no MuBE, por um momento estava gostando muito das exaltações e sinceras criticas ao projeto de Ivo Mesquita, mas o que faltou naquela mesa foi educação com o Ivo, foco do debate e também a nós artistas e ao grande público presente, pois os senhores Granato, Aguilar saíram da mesa por várias vezes sem dizer o porque da breve ausência... Eu fiquei envergonhado com tais atitudes, afinal são importantes artistas que escreveram a nossa arte da década de 80 e 90 e continuam produzindo em nosso tempo, poderiam ter um pouco de respeito aos presentes...Não é mesmo?

O Sr. Olívio cometeu o mesmo erro um pouco antes do final do debate, saiu da mesa sem pedir licença sem dar nenhuma satisfação, ou seja, por alguns momentos ficaram sozinhos Ivo e a mediadora presidente da ABCA, Elvira Vernaschi, enfim o ato desses dois artistas ficou feio, também não esquecendo do Antonio Henrique Amaral que cometeu a mesma atitude.

O debate ficou incompleto sem a presença importante de Lizette Lagnado e do Tadeu Chiarelli. Achei muito oportunista e sem hora marcada o pré-projeto (que segundo fiquei sabendo foi pensado na noite anterior ao dia do debate) "O aberto do aberto" do artista Roberto Aguilar, pareceu-me estratégico, distanciando-se do assunto em questão. um chute esperto...Isso é falta de postura profissional!!!

Ficou prometida uma segunda mesa a ser realizada e apoiada pelo MuBE, espero que da próxima vez haja mais ordem e organização e acima de tudo respeito com as demais pessoas que serão convidadas.

Ivo Mesquita, na minha humilde opinião, não tem o papel de representar e ser o interlocutor dos problemas domésticos e gerencias da Fundação Bienal, o que temos que discutir é o projeto "em vivo contato" isso me parece que Ivo está disposto por discutir até sua total exaustão. Particularmente não vejo nada de absurdo no projeto, acho que o "Vazio" representa não só a falta de rumos de nossas produções contemporâneas como também a falta de interlocução de certos artistas, tanto de um lado como do outro. Fica claro que não há um entendimento no sentido do compartilhar. Aliás, minha esposa, também artista plástica, costuma dizer que deveríamos trocar "arte contemporânea" por “arte compartilhada...” fica aqui a sugestão..

A justificativa pela ausência importante do secretário da Cultura do Município de SP, o Sr. Carlos Augusto Machado Calil é muito fácil de entender, é política e nada mais.

No geral o debate que se posicionou de forma não politicamente correta, com criticas ácidas e das muitas feitas, grande parte com certa propriedade dirigidas ao Ivo Mesquita, que acho, soube ponderar, e talvez em suas anotações refletir a frente, foi muito elucidativa, apensar dos ruídos... Temos que conversar, discutir, propor soluções e acima de tudo sermos educados.