Thursday, May 22, 2008

Keith Haring


A foto acima mostra Keith Haring em ação no metrô de Nova York, em 1983. Nessa altura ele já era uma celebridade internacional e fazia sucesso comercial, mas suas cotações no mercado começaram a subir de verdade quando foi divulgado, no final dos anos 80, que ele era HIV-positivo, confirmando uma previsão que ele próprio fizera numa entrevista: "Em minha vida fiz muitas coisa, ganhei muito dinheiro e me diverti muito. Mas também vivi em Nova York nos anos do ápice da promiscuidade sexual. Se eu não pegar AIDS, ninguém mais pegará". Haring morreu aos 31 anos, em 1990. Hoje suas obras estão entre as mais caras da arte contemporânea.

A descoberta de dois artistas foi fundamental para a carreira de Haring. Primeiro, foi ao assistir a uma conferência de Christo, no final dos anos 70, que ele se sentiu motivado a desenhar em espaços públicos, de forma que pessoas comuns pudessem esbarrar em suas obras; mais tarde, foi ao conhecer os graffitis de SAMO, pseudônimo de Jean-Michel Basquiat - que também virou um super-astro da arte e também morreu precocemente, de uma overdose de heroína - que Haring deu um rumo definitivo à sua obra, desenvolvendo o vocabulário visual que se tornaria sua marca registrada: bebês engatinhando, discos voadores, cachorros latindo, pirâmides vibrando, homenzinhos que voam, sempre desenhados de maneira crua e rápida.

O sucesso, como costuma acontecer, veio acompanhado de muitas críticas: rico e famoso, Haring ficou amigo de Madonna e Andy Warhol e passou a circular na alta sociedade. Além disso, emprestou sua arte a anúncios de bebidas e automóveis - e abriu uma empresa para comercializar produtos com desenhos seus. Além disso, parou de desenhar no metrô: seus desenhos eram roubados poucas horas depois de concluídos, e ressurgiam à venda em poucos dias. Por tudo isso, muita gente o acusou de estar se vendendo - expressão que faz cada vez menos sentido, na medida em que os artistas contemporâneosn incorporam os valores neoliberais do sucesso financeiro.

Pessoalmente, acho o trabalho de Keith Haring engraçadinho. Mas não tem a profundidade nem a sutileza que espero encontrar na arte verdadeira. Que obras que ele rabiscou em poucas horas, numa produção em série, cheguem a valer milhões de dólares me parece incompreensível.

3 comments:

Lucas Lourenço said...

O trabalho engraçadinho é o de Basquiat ou o de Haring?
Parabéns pelo blog!

E. Ferreira said...

Que bom que voltou a postar...O ato de expor trabalhos de arte em lugares públicos é interessante. É admirável o que os muralistas mexicanos fizeram... Artistas como Basquiat fazem coisas interessantes mas sem uma profundidade e consistência como em Orozco ou Siqueiros. Até porque a arte pop é agradável.

XTO said...

Mas eles fazem as coisas "em uma vida e poucas horas", não só em poucas horas... Mas daí a isso valer milhões, é bem questionável. Surge também outra questão: se isso vale milhões, quanto vale "milhões" ? Do ponto de vista capitalista, valer milhões é muito legal, mas não é com esse mesmo valor que uma obra de arte pode ser avaliada. Se fosse assim, uma placa de ouro cheia de diamantes feita de qualquer maneira seria uma grande obra de arte.