Thursday, May 01, 2008

Três artistas conceituais

No auge da Arte Conceitual, no final dos anos 60, muitas obras não existiam concretamente, como objetos, mas apenas como idéias. O artista Lawrence Weiner, por exemplo, declarou: "Conhecer uma obra minha é possuí-la: não há maneira de eu entrar na cabeça de uma pessoa e tirá-la de lá". Em 1960, Weiner produziu com explosivos crateras artificiais em Mill Valley, na Califórnia. Nos anos seguintes, ele se deu conta de que passava mais tempo falando sobre suas obras do que realizando-as, de forma que decidiu trabalhar apenas com textos, grudando palavras e frases de grandes dimensões nas paredes das galerias.

Em 1968, Weiner formulou uma famosa "Declaração de intenções", que sintetiza sua visão da obra de arte, que "não precisa ser construída". No mesmo ano, publicou a obra Statements, um livreto de 64 páginas descrevendo projetos jamais realizados - o livro em si é considerado uma obra seminal da Arte Conceitual.

Uma grande retrospectiva da obra de Wiener ocupou o Whitney Museum, de novembro de 2007 a fevereiro deste ano.

Robert Barry, por sua vez, se justificou, em 1968: "O mundo já está cheio de objetos, mais ou menos interessantes. Não quero acrescentar outros". Reduzindo a arte a puro pensamento, Barry produziu, no ano seguinte, a obra Telepatic Piece, que consistia, simplesmente, na afirmação: "Durante a exposição, eu tentarei comunicar telepaticamente uma obra de arte, cuja essência é uma série de pensamentos que não são aplicáveis á linguagem ou a imagens".

Evidentemente, essasobras negavam a possibilidade de comercialização, até porque não existia nada que se pudesse comprar ou vender. Segundo Joseph Kosuth, um pioneiro da Arte Conceitual, a arte se aproximaria assim da ciência ou da filosofia, que são auto-suficientes, não dependem do público e não têm valor como mercadoria.

Mas, para o artista franc~es Daniel Buren, exibir um conceito, em vez de uma pintura ou uma escultura, não era suficiente, pois se estaria apenas trocando seis por meia dúzia. Por isso Buren tentou criar uma obra que não fosse nem objeto nem conceito, e durante décadas, a partir de 1966, ele se limitou a produzir tiras verticais vermelhas e brancas, que colocava em qualquer lugar, incluindo os espaços institucionais dos museus e galerias.

3 comments:

João Vergílio said...

O problema, na minha opinião, é perceber que todas as premissas desse tipo de bobagem já estão presentes na obra de artistas tão respeitáveis quanto Lygia Clark, por exemplo.

A arte (como o esporte) é, antes de mais nada, exibição de um domínio absolutamente extraordinário de uma certa técnica. Não é (nem pode ser) apenas isso. Mas tem que ser isso TAMBÉM, ou não terá como ocupar o mesmo lugar do universo humano que as obras de arte têm ocupado até hoje.

Marcelo Lopes said...

Merece um comentário também conceitual, aí vai ele, entre aspas:

" !"

badah said...

É a diferença entre uma leitura dramática e uma peça de teatro. Quem vive as artes cênicas pode se satisfazer ou até mesmo se regozijar com uma leitura dramatúrgica. Mas somente a montagem final do espetáculo vai tocar o público, o universal. Particularmente, não vejo muito graça em fazer arte para artistas. Há algo de adolescente na arte conceitual.