Wednesday, January 16, 2008

Do noticiário:

MP pede interdição do Masp após laudos estruturais

O Ministério Público protocolou nesta quarta-feira uma ação civil pública pedindo a interdição do Masp. O pedido foi baseado em laudos do Corpo de Bombeiros e do Departamento de Controle do Uso de Imóveis sobre a situação estrutural do museu. Com a medida do MP, o museu pode ser fechado até que as irregularidades apontadas sejam solucionadas. Apurou-se que o prédio do Masp não possuía licença para funcionamento nem atestado de vistoria do Corpo de Bombeiros, além de problemas como a falta de hidrantes. Não tem, portanto, condições de ser utilizado sem colocar em risco iminente a vida e a saúde dos freqüentadores do museu, bem como o seu acervo. Segundo o Ministério Público, o próprio estatuto do museu prevê que, em caso de dissolução da Associação Museu de Arte de São Paulo, o acervo seria destinado à Pinacoteca do Estado. Não sendo possível realizar a transferência, o remanejamento das obras seria feito para uma "instituição cultural idônea e apta a receber tal patrimônio, a ser indicada por peritos da confiança do Juízo".
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Já em 2006 a situação do Masp era desastrosa. Vejam algumas declarações de Claude Mollard, fundador do Centro Cultural Georges Pompidou, publicadas na Folha de S.Paulo em 28 de maio daquele ano - quando o museu estava fechado e sem luz, por falta de pagamento:

FOLHA - O sr. acompanhou o incidente envolvendo o Masp? Já viu um museu dessa importância ficar fechado por falta de pagamento da conta de luz?
CLAUDE MOLLARD - É um absurdo. Nunca tinha ouvido falar de algo assim. Nem estou acreditando. Ou o museu está sem recursos porque o poder público não os está repassando ou cuidou mal do dinheiro. Ou a companhia de eletricidade é muito má. (...) Não é normal. É um escândalo, uma vergonha. (...) Não é bom para a imagem do Brasil. Acho que está claro que não é feito o suficiente.

FOLHA - Como o sr. avalia a manutenção dos museus no Brasil? Como é essa percepção no exterior?
MOLLARD - A impressão que temos é a de que o Brasil não se interessa muito pelos seus museus. Há alguns anos, fui ao Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, no Rio, e estava chovendo. Havia um problema no prédio e caía água sobre uma múmia egípcia. Também há o episódio do incêndio que ocorreu no Museu de Arte Moderna, no Rio [em julho de 1978, quando cerca de 90% do acervo foi destruído]. Se isso continuar, não haverá mais museus no Brasil. Há a tentativa aqui de criar um museu dedicado às obras do escultor Frans Krajcberg, mas não há dinheiro. Os museus são essenciais para a educação, para os estudantes, para a História etc.

FOLHA - O que o sr. acha das formas de financiamento dos museus, da relação entre financiamento público e privado? O que o sr. achou da recente iniciativa de construir uma unidade do Guggenheim no Rio?
MOLLARD - O problema do financiamento privado é que em um dia funciona, no outro não. Acho que seria bom se houvesse um novo museu de arte moderna no Rio. Mas sempre há o problema de dinheiro. É uma questão de prioridade.

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