Friday, March 28, 2008

O retorno do reprimido

Sempre convém dizer que há diversas exceções, artistas fazendo coisas interessantes etc. Mas, diante das tolices que são (literalmente) vendidas como arte contemporânea, no Brasil e no mundo, me pergunto se essa gente, bem lá no fundo, não sente:

- remorso por estar enganando pessoas de boa fé
e/ou
- medo de ser desmascarada, e de que a festa termine.

Não é preciso ler muito Freud para entender que são dois sentimentos que tendem a ser recalcados - e a se manifestar na forma de hostilidade contra qualquer um que se atreva a despertá-los.

Aproveitando, seguem mensagens que recebi no orkut, de estudantes de Arte:

DARK LULLABY:
Concordo plenamente c/ o q vc escreveu aki (recado anterior)... infelizmente, no campo das artes, se vc ñ tem um padrinho, as costas quentes ou coisa do tipo, vc ñ desenvolve pesquisa, ñ realiza trabalhos, ñ expõe, ñ cresce como artista! Sei disso pq passei por isso na facul (UERJ)... pra concluir minha facul de artes tive q fazer vários trabalhos p/ agradar professor, e ñ p/ me agradar ou desenvolver minhas habilidades.

1 comment:

badah said...

O problema é o imperativo de que a arte não está no cavalete. Pode estar ou não. Pintura não é necessariamente arte e arte não é necesariamente pintura. Na minha opinião, a arte está na relação. Na relação do criador com a obra e da obra com o outro. Não estou relativisando, estou falando de uma relação específica caraterizada por determinadas virtudes cujos valores mudam sim de tempos em tempos. Mas, por ser relação, a arte torna-se vulnerável a apropriação. Tanto pelo mercado quanto pelas instituições de ensino - geralmente instâncias comungadas, por isso tão poderosas. Pessoal, ninguém ensina arte de graça! Se é que a arte pode ser ensinada...

Penso que cabe aos artistas e aos críticos apropriarem-se também! Organizarem-se, se assim quiserem. Talvez seja esse o caminho para a reversão desse angustiante quadro.